quarta-feira, 29 de abril de 2009

Candy Shop


O rabino Yitzchak de Kamarna usava uma loja de doces como metáfora para a busca espiritual.

Se uma pessoa entra numa loja de doces, que é repleta de balas e bombons, a primeira coisa que o baleiro faz é dar-lhe uma provinha de cada produto, para ver se alguma lhe agrada.

Depois de degustar um pouco de tudo, o cliente seleciona algo, então o vendedor lhe diz: “agora você pagará para comer o que lhe deu tanto prazer”.

Todos nós, no início de qualquer jornada, temos o que se chama de “sorte de principiante”. A amostra grátis da Luz Divina está plantada no coração, acordando ao menor sinal.

Na medida em que escolhemos o caminho, cabe a nós pagar seu preço, se desejamos seguir adiante.

(texto roubado do blog do Paulo Coelho)

domingo, 26 de abril de 2009

Refúgio

O mundo atual passa por uma crise financeira, de valores, de ideologias (ou da falta delas), de choques políticos e religiosos. Para tentar entender este contexto e apresentar novas propostas e saídas é preciso compreender o que se passa. Isso significa interpretar, refletir e questionar.

A simples leitura passiva de entretenimento, pode ser válida na educação infantil, mas como mero passatempo de adultos resulta em mais um modo de alienação. Tanto faz se a leitura é popular ou erudita se não há nesta arte a intenção de provocar a reflexão ou de transformar o leitor em autor da sua própria história de vida, um transformador da realidade ao seu redor.

Portanto, a leitura crítica é fundamental na formação de cidadãos conscientes e ativos e torna-se ainda mais importante em tempos de crises e de falta de perspectivas. O pensamento vem antes da ação. Sem uma estratégia, uma meta, um sonho, o ser humano torna-se um mero escravo do sistema vigente.

A leitura liberta e apresenta novas possibilidades pessoais e comunitárias. Até mesmo os escravos, que eram privados dos livros, tinham seus líderes que por alguma razão tiveram acesso a algum conhecimento extra, possuíam boa oratória e poder de convencimento.

Sem o conhecimento proveniente dos livros, do debate de idéias, da filosofia, da sabedoria de vida, pessoas prendem-se a informações propagadas pela mídia e pelas igrejas (órgãos sempre duvidosos devido aos interesses comerciais e políticos). Com isso, as pessoas ficam a mercê dos fatos e, sem um refúgio no “mundo das idéias”, não é possível sonhar, apenas aceitar o fim.

Ariel Pádua

soneto sem sombra (de dúvida)

pendurado em minha pessoa
crucificada nas minhas próprias
dívidas e dúvidas traidoras
que nunca me deixam acordar

saio pela noite agridoce
ruas sem saída bem iluminadas
artificialmente a madrugada
promete um dia de sol e liberdade

papa não faça sermão!
mamãe mamãe não chore
a vida é assim mesmo

pés na estrada e navalha na mão
jogos de moralidade?
finjo alegria na carne

desatados

todas as experiências
são erros

os acertos são geralmente
ocasionais
normalmente vergonhosos

não existe um deus para cada um
o egoísmo faz o mundo girar
enquanto a natureza se vinga

desfazendo os nós
do macaco que come carne
e pensa que é gente

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Música

Meu amigo Thiago Pethit na noite do Studio SP

Vale a pena ouvir:

Uma pátria e uma família

Foto de Sebastião Salgado


No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais (únicas bocas que ainda falavam) clamavam pela liberdade de Pedro Bala, líder da sua classe, que se encontrava preso numa colônia.

E, no dia em que ele fugiu, em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia. E, apesar de que lá fora era o terror, qualquer daqueles lares era um lar que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família.


Capitães da Areia
Jorge Amado



Eu fico com a pureza das respostas das crianças
É a vida, é bonita e é bonita...

Gonzaguinha


Você me abre seus braços e a gente faz um país

Marina Lima e Antonio Cicero

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O mundo num click

Apenas três décadas após o seu surgimento, a internet já se tornou o principal meio de comunicação entre as pessoas e as empresas de todo o mundo. Alguns fatores contribuíram para este rápido crescimento: o mais evidente deles é, sem dúvida, o eterno desejo do homem pela máxima facilidade e comodidade.

A internet é, antes de tudo, uma infinita biblioteca virtual, mundial e sem fronteiras. É também a grande rede de comunicação para onde todas as tecnologias se convergem, facilitando relações pessoais e comerciais, encurtando distâncias e tempos.

Devido a esta fantástica capacidade de conectar pessoas e armazenar informações, tornando-as facilmente acessíveis (teoricamente) de qualquer ponto do mundo por meio de sons, imagens e textos, a internet tornou-se a principal forma de intercâmbio cultural, comercial e pessoal da atualidade.

Como toda tecnologia criada pelo homem, a internet também tem o seu lado negativo: golpes virtuais, pedofilia, espionagens políticas e corporativas. Além de promover a falsa idéia de que tudo está disponível: produtos ou pessoas, basta um “click”.

Nos sites de relacionamentos, pessoas transformam-se em “produtos numa prateleira”. É justamente esta ânsia pela facilidade, pelo efêmero, que ofusca o que a internet tem de melhor: toda a riqueza cultural do mundo acessível a todos.