Jogo com o tempo
Um jogo cego
O velho prego
Cada vez mais perto
Crises e credos
Impressões mal digeridas
Atrizes mal dirigidas
O jeito é riscar um fósforo
Espiar o horóscopo
Acender uma vela
Pra não se sentir uma peça
De um jogo de damas
À deriva
Entregue aos espinhos da vida
Os artistas têm licença divina
Como os anjos e os peixes
Ariel
sexta-feira, 12 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
papo bacana
senta aí francisco vamos bater um papo bacana sem pontos nem vírgulas a vida é um risco e um risco nem sempre quer dizer francisco pode ser só um rabisco pode ser só um nabisco pode ser só ou acompanhado francisco a vida é boa demais para ser verdade viver a verdade é viver de verdade é viver no cisco do olho na chuva no cheiro de chegar em casa a chave na samambaia é viver francisco é viver vem comigo roubar palavras e sorrisos
sábado, 6 de junho de 2009
sem ré
não se sinta só no sofá sinta só o sofá sol lá sem dó de si sinta o sol que há lá fora fafá só não si esqueça de si fafá não se esqueça de mim fafá não se esqueça do filtro solar e da minha caloi fafá sol não si esqueça de mi
A Noite
A noite gela e gera monstros e sombras, rumores e amores mal resolvidos, fotografias envelhecidas. Alice não sabia dançar. E eu, assim, não sabia dar o peixe nem ensinar a pescar. Alice vai ser estrela de cinema. Vai ficar pra sempre no céu com os diamantes. Um dia eu vou também, boneco pagão, fantoche, tomar um quentão na quermesse, atirar em patinhos amarelos. O frio da noite pede cama, carne, calor. Pede Alice, pede laços, lagos e luas. A noite pede aço, pede veludo. Pede maçã-do-amor.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Eu-Tu-Eles
Maria não tem ressaca moral. Gozosa de si, fez, na Lição do Sapo, um acordo suave nos Jardins da Quarta Dimensão. O estojo de metal reluzente escorrega da sua carteira, e, o barulho desencadeia o caos na classe. As penas voam e as gírias viram jargões, os jargões viram termos, os termos viram palavras e as palavras vão parar no Dicionário. Maria adora, Maria brilha. Maria prefere o lado de cá que ri e que chora e que dá bola fora. Maria (que belo nome), cheia de graça, recolhe a marmita cintilante, a grossa caneta de dez cores, e realiza, erótica, o sinal da cruz.
Ariel Pádua
Ariel Pádua
terça-feira, 2 de junho de 2009
Peixes
A paz vive nos teus olhos, e eu, já moro neles, entre dentes, nas entrelinhas. Num mar de olhos verdes. Silêncio. Um gesto. Mil sorrisos num sorriso sereno, certo, exato. As mãos, o cigarro, os chicletes. Chego sempre antes, um pouco afobado, contemplativo, mas seguro da minha eterna liberdade refletida em tuas esmeraldas. Não é bem isso, verdade seja dita e sentida, é muito mais que isso. Intraduzível, impronunciável como as coisas sagradas. As palavras desmancham na boca, desnecessárias. É redundante, sim, é banal. É, acima de tudo, lindo.
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