quinta-feira, 18 de junho de 2009

cereal killer

filtro são joão água
benzida na televisão
a vida é curta eu só
queria um pouco mais
de açúcar

cruel festivo angelical

mate-me de cócegas suba
nas minhas costas grite
o mais alto que quiser
mate-me de rir desça
do salto se puder seja

minha estrela essa noite
sem máscaras sem luz
de velas cem vezes
sim


Ariel

-

Brasil-zil-zil!










quarta-feira, 17 de junho de 2009

o ginásio

(...)

o repetente do primeiro colegial
não sei da sua família
vestia quase sempre a mesma
blusa de lã azul macia
embora eu nunca a tenha tocado
aprendi mais sobre os dedos
da mão dele girando
a caneta também azul
do que qualquer matéria
daquele ano

ana guadalupe


http://welcomehomeroxy.blogspot.com/2009/06/ginasio.html

caio, mas levanto.

que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir.
que eu continue alerta.
que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato.
que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém.
livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor.
que meus olhos saibam continuar se alargando sempre...

caio fernando abreu


http://www.frequenciaduvidosa.blogspot.com

Bowie

terça-feira, 16 de junho de 2009

Qual é o RAP?

“O direito senhorial de dar nomes vai tão longe, que nos permitiríamos conceber a própria origem da linguagem como expressão de poder dos senhores: eles dizem “isto é isto”, marcam cada coisa e acontecimento com um som, como que apropriando-se assim das coisas.”


Nietzsche
Genealogia da Moral

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Barbarella, Cravo e Canela

Bom pra caralho!

Eletrodoméstico

– Manso e mediano, caminho humilde em busca de luz e ar puro, da verdade definitiva e consoladora, intestinal e doméstica – mas de todos os eletrodomésticos que me relacionei até hoje, foi o liquidificador o mais encantador – talvez pela sua simplicidade de uso e valor simbólico – não se trata aqui de nenhum tipo de ‘fetiche cyberpunk’, um pouco fora de moda, mas sim um certo orgulho animal-humano civilizado de beber doze vitaminas essenciais e sentir o sabor de tudo ao mesmo tempo agora – oral, verbal – é neste e só neste momento que se revela o erotismo da coisa – em meus escritos enlatados = coisas, circulares e, pretensamente, bem costurados, revelam-se incertezas éticas e fascinações estéticas, vícios, ou melhor dizendo, ideologias – nascidas sempre de ressentimentos que, em uma análise mais calma, nem a mim pertencem de fato, na maior parte dos casos – por isso esqueço por um tempo as laminas e concentro-me nas vitaminas – esqueço as teses e as conclusões e concentro-me nas ‘ciências ocultas’ da arte – por algum tempo – e, entre tantas teorias que se fundem, se confundem e se anulam – entre tantos ‘ses’, fico com a beleza plástica e meditativa das palavras, talvez nelas residam algumas verdades – por algum tempo –


Ariel