domingo, 30 de novembro de 2008

1979

fotos amarelas como teus dentes
revelam vícios e saudades
a barba branca projeta decência
as mãos ásperas seguram flores

procurando no passado paraísos
apagados em algum ponto onde
o medo encontra a nostalgia

procurando alguém só pra quebrar
um galho
cair das nuvens

comer a fruta proibida
no quintal de eva

socialmente aceito

socialmente assumo
meus defeitos ao dobrar
a esquina de jabá em jabá

inadequado creio
em palavras mágicas
de hálito refrescante

socialmente aceito
saciar a alma de juventude
a cada dose de inveja

vaidoso espero

curtos prazeres

desenhando um futuro
em médio prazo
recortando a vida
em curtos prazeres

eu não consigo ser alegre
o tempo inteiro
disse o wander wildner
sábio poeta de rua

mais cedo ou mais tarde
todo mundo vai aprender
a gozar a vida
e pagar pelo prazer

Táxi Branco

Táxi! Boa noite. Rua da Consolação, 2608. Cegos. Eu falava ao taxista... Crianças. Qualquer bobagem sobre... Um e cinqüenta. Qualquer bobagem sobre... Acordeom. Pra quem o senhor vai votar? Neon. Chegamos. Trinta reais. Boa noite! Os ratos cresceram. Risadas. Soluços no elevador. Ternura. Quarto andar. A chave. Oásis.

drama/programa

de graça nem os sorrisos de plástico embutidos no preço do pão de açúcar
silenciosa-ferida-frígida-paisagem-refrigerada-ternura
mimos em miniatura

Guri

Sorriso no olhar, jeito bobo de andar
Soluço que não vai passar

Peixinho preso no aquário
Príncipe de Passo Fundo fantasiado de Super Mario

jennifer beals

trocou de nome
comprou um cachorro
desistiu do amor
esqueceu as dores
os dissabores da selva
de pedra e dançou
dançou dançou
dançou