O segredo é ser sexy sem ser vulgar, disse a Juliana-Loira, enquanto borrifava seu Victoria's Secret pelo corpo e escolhia um lenço bacana assim pra dar um truque no sobretudo preto. Juliana-Loira virou evangélica na esperança de arranjar um namorado decente. Mas ela não tem saco para os cultos. Cê ficou sabendo da menina que pegou a Doença do Morto? Gente, to pá-sá-dá! Foi assim: diz que o namorado matou a namorada depois comeu a namorada morta (!) e aí ele pegou e foi pra micareta, na micareta ele pegou e comeu outra menina que pegou a Doença do Morto! Será que é verdade? Com o lenço ou sem o lenço? Juliana é sexy sem ser vulgar. Sabe se vestir adequadamente para cada tipo de ocasião. Ela tem seu próprio dinheiro, mas mora com os pais pra não ficar mal falada. Acha melhor fazer essa linha porque homem tá difícil hoje em dia, amore. Metade virou viado, metade só quer putaria. Nossa, tô puta! O lenço prateado com um toque indiano caiu melhor. A gente deve seguir as tendências, mas sem perder o estilo pessoal, sabe? Tem que ser sexy sem ser vulgar.
a.p.
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O Sol Que Me Ilumina
Juliana me conte como foi o seu dia no São Pedro
E se as crianças já estão aprendendo
Juliana me conte como foi o seu estágio na Restinga
E se os funcionários estão com tudo em cima
Juliana me conte como foi o seu ensaio de teatro
E se o roteiro já está programado
Suas palavras me levam sempre ao paraíso
Onde o sol que me ilumina é o seu sorriso
Juliana me fale a teoria do seu Sigmund Freud
Aquele velho louco e cheirador
Juliana me fale sobre Júpiter em oposição ao sol
E de saturno em quadratura com a lua
Juliana me fale um pouco sobre as sociedades primitivas
E o homem no princípio do universo
Suas palavras me levam sempre ao paraíso
Onde o sol que me ilumina é o seu sorriso
Wander Wildner
sábado, 30 de maio de 2009
Conversa Paralela
Geléia geral de menta ou damasco. Aviões invisíveis, cavalos alados. As pequenas misérias da vida são sempre as mais perturbadoras. Elas sempre voltam. Mesmo que sejam picadas em mil pedacinhos como cartas não enviadas. Voltam como mágica nas horas e das formas mais impróprias. Como nos filmes do Jason que nunca morre. Assim são as justificativas. Universos e conversas paralelas. Como nos filmes do Jason: não adianta correr, os orelhões nunca funcionam, os fios estão sempre cortados. Não adianta gritar, nem espernear. É tudo de mentirinha. Atravessar paredes, saltar abismos. Desintegrar monstrinhos com Raio Laser. Ventiladores girando. Apagadores voando na testa. Acabou a festa, Baby. Durma com os Anjos.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Vitinho
Enquanto cortava as unhas do pé com um trim no banco de trás do Chevette bege, Vitor pensava num jeito de não bombar em Educação Física. Um menino no farol, devia ter sua mesma idade, vendia um algodão doce muito rosa. Vitor lembrou-se das bochechas rosadas do gordinho da sua classe. Ele, pelo menos, servia para goleiro. Não que fosse bom goleiro, mas por ser péssimo em tudo, aprendeu a ser um bom gordinho e um bom goleirinho. Claro que por força do destino. Vitinho cortava as unhas no Chevette e no fundo sentia inveja do gordinho: do seu jeito, gordo, atrapalhado, Denis tinha uma função. Quanto ao Vitinho, detestava escola, professor, merenda, inspetora, hino nacional, Educação Física e futebol. Gostava mesmo era de inventar brincadeiras com seus amigos. Brincadeiras sem regras e sem uniformes. Todo dia se metia em encrenca. Vitinho adorava encrenca. Mas nada de juízes, apitos e regras. Vitor não era bom com os pés, não era bom de bola, não tinha samba nos pés. Tinha samba nas mãos. Seu negócio era com as mãos. Fazia engenhocas, inventava brinquedos... Vitor gostava de cortar as próprias unhas e não dava bola pra vitória.
Ariel Pádua
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Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
(...)
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
Arnaldo Antunes/Alice Ruiz
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Erasure - A Little Respect
http://www.youtube.com/watch?v=x34icYC8zA0
Ariel Pádua
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Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
(...)
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
Arnaldo Antunes/Alice Ruiz
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Erasure - A Little Respect
http://www.youtube.com/watch?v=x34icYC8zA0
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Simples-cidade
Foram “apenas” quatro meses, mas poderia escrever sobre eles o resto da vida. Se quisesse, mas creio não querer. É que na verdade nunca me senti parte daquilo que chamam de cidade. Não me viciei. Refiro-me à São Paulo, Sampa. Uma cidade que não me deixou saudades: somente materiais para análise e fotografias. Saudade, da cidade em si, definitivamente, não preciso explicar mais nada. A cidade se explica e se complica. Saudades tenho (isto já está virando um fado) das cidades do sul. Simples-cidades. Pequenos oásis de gente bonita, simples e educada. Jardins, corujas, gentilezas, sorrisos, sotaques, beijos, abraços, bom dia, boa tarde, boa noite. Florianópolis, Floripa. A cidade dos jovens, dos “adultecentes-peter-pans”, das bruxas, dos gringos. Ilha dos paulistas e gaúchos. Ilha dos “manézinhos da ilha” que nada tem a ver com os “manés” cariocas. São simples, doces e diretos: se querex, querex, se não querex, dix.
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“Naquelas épocas e naqueles lugares, o que parecia, era, e o que era, parecia”.
José Saramago
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“Naquelas épocas e naqueles lugares, o que parecia, era, e o que era, parecia”.
José Saramago
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Jesus Luz fake do Twitter
1. “agarradinho com a madonna no sofá vendo um documentário sobre a cabala… ela fica puta qnd eu peido embaixo do cobertor. hahaha”
2. “comprei um hot dog e tô aqui comendo com as empregadas da madonna. uma é chilena, outra é mechicana e uma é brasilêra. todas show de bola!”
3. “fazendo miojo só de cueca e ouvindo “like a prayer”…
4. “festona foda ontem no Met. comi muita empadinha e ainda levei um monte de brigadeiro na bolsa da madonna. ela ficou puta pq sujei o cel dela”
* * *
BATMAN X HERA VENENOSA
domingo, 24 de maio de 2009
Jussara na hora
No mundo há pessoas boas e pessoas más (Gilberto Braga tem toda a razão). Sim. Há pessoas boas e más, e quem já sentiu na pele sabe o que estou falando. Mas há os bonzinhos, sim, há os bonzinhos, e, entre eles, estão todos os confusos, os perdidos, os inseguros, os covardes, os fúteis, os invejosos: todos bonzinhos que são maus nas horas vagas. “A ocasião faz o ladrão”, dizia a minha avó. “Foi sem querer querendo”, dizia o Chaves na televisão. É mais ou menos isso que acontece quando todos os liquidificadores do mundo batem ao mesmo tempo. Jussara escolhe o seu suco pela cor, beterraba, vermelho-sangue e bebe, triunfante, enquanto escuta uma voz que parece vir do céu: JUSSARA SUA HORA CHEGOU. Então se lembra que precisa desligar o gás e dar duas voltas na chave da porta dos fundos. Jussara atingiu um nível de lucidez tão alto que a vida tornou-se um jogo idiota. Foi deitar-se, serena, esperando os efeitos dos remédios. Desmaiou nas trevas da inconsciência e dormiu morta. Sonhou com homens nus tomando banho entre cenas dos seus filmes favoritos: Psicose e Poltergeist. O chuveiro, o sangue de chocolate, a tevê fora do ar, a garotinha engolida pela tevê. Toca o despertador. Jussara acorda na hora, prepara uma vitamina com um pouco de granola e vai trabalhar. No silêncio sagrado do metrô, ela vai pensando na vida, no que fazer no seu único dia de folga semanal. Seu salário acabou. Não vai dar pra visitar o filho que mora com o pai em Diadema, não vai dar pra tomar um vinho barato argentino, não vai dar pra se jogar na Loca. Não vai dar.
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DO COMEÇO AO FIM
http://www.youtube.com/watch?v=3DVa2DKSnU0
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DO COMEÇO AO FIM
http://www.youtube.com/watch?v=3DVa2DKSnU0
sábado, 23 de maio de 2009
Gafanhotos e Mel
João usava uma vestimenta de pêlos de camelo e um cinto de couro em volta dos rins.
Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
O Evangelho Segundo São Mateus
Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
O Evangelho Segundo São Mateus
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