terça-feira, 8 de junho de 2010

Fome de Beleza


Tênis branco, calça vermelha, jaqueta marrom, cabelos e olhos castanhos, maravilhosamente comuns.

Fedia a cigarro, os joelhos ralados, a risada boba, o ar de reizinho.

“A burguesia transformou todos em pequenos burgueses” - disse, do alto da sua beleza adolescente.

Beleza radiante, quase prepotente, com ares de estudante francês.

Enquanto gelos gigantes derretiam morbidamente em copos de caipirinha...

Irã descrevia seu tédio com todas as metáforas pobres que sabia.

Ele não estava entre os vinte meninos mais inteligentes da Califórnia, mas sua euforia tinha gosto de vida.

Um dia, contou a história de Wanda: “Era uma neguinha manca, daquelas que fediam a perfume duvidoso. Parisiana!, chamava o tal perfume...”.

Do banheiro – com a porta aberta – eu ouvia a história engraçada e maldosa, antes de apertar o botão da descarga.

Pensei, fechando o zíper, que o amor – única palavra sem sinônimo – bota o tédio abaixo de zero e arranca o homem do seu aquário.

E a beleza, essa só vale, se for roubada para ser habitada.

Ariel Pádua

5 comentários:

pedro de sá disse...

senspivel como uma bolha de chiclete quando estoura na boca de quem a gente ama

Ivana disse...

orgulho de vc ... " E a beleza, essa só vale, se for roubada para ser habitada".
Uma das coisas mais sensatas q eu já li ...

Jatniel disse...

Ariel, que texto interessante... Ainda tenho comigo aqueles primeiros textos que me enviava. Gostei muito deste trecho:

"Pensei, fechando o zíper, que o amor – única palavra sem sinônimo – bota o tédio abaixo de zero e arranca o homem do seu aquário."

Dimitri
jbrdimitri@hotmail.com

Laura Cássia disse...

vc arrasa .. só isso ...

Anônimo disse...

vc arrasa !! só isso ..
Laura